Selim para a frente ou para trás? Como ajustar o recuo
Atualizado · Escrito por Stas Bashylov, Ihor Twin
A posição frente–trás do selim, a que se costuma chamar recuo, é o quanto o selim fica avançado ou recuado em relação ao eixo pedaleiro. Muda a forma como o teu peso se distribui entre o selim, os pedais e as mãos, e interage tanto com a altura do selim como com a distância ao guiador.
Ao contrário da altura do selim, não há uma fórmula bem validada para o recuo. Este guia explica o que influencia, porque é que a regra tradicional do fio de prumo é discutida e uma forma prática de o ajustar em pequenos passos verificáveis.
Verifica a tua posição na bicicleta
O que influencia a posição frente–trás do selim
- Equilíbrio e pressão nas mãos. Recuar o selim desloca mais peso para trás; avançá-lo carrega mais as mãos e os braços.
- Altura efetiva do selim. Como o tubo do selim é inclinado, recuar o selim também o afasta um pouco dos pedais. Um recuo grande pode pedir que baixes um pouco o selim: volta a medir depois de qualquer alteração frente–trás.
- Distância ao guiador. Avançar o selim encurta a distância ao guiador e recuá-lo alonga-a; por isso o recuo é muitas vezes mal usado para corrigir um cockpit demasiado comprido ou curto.
- Uso muscular e conforto. Muitos ciclistas descrevem uma posição mais recuada como mais «sentada e potente» e uma mais avançada como mais «por cima dos pedais». São impressões subjetivas e variam de ciclista para ciclista.
Porque é que a regra KOPS é discutida
A regra tradicional, KOPS (Knee Over Pedal Spindle, joelho sobre o eixo do pedal), deixa cair um fio de prumo da parte da frente do joelho com as pedivelas na horizontal e move o selim até a linha passar pelo eixo do pedal. É simples e continua a ser muito repetida.
Também é muito criticada. No seu ensaio «The Myth of K.O.P.S.», o construtor de quadros Keith Bontrager escreve que a regra «não tem qualquer base biomecânica» e que, na melhor das hipóteses, é uma relação casual que deixa muitos ciclistas perto de uma posição viável, não uma razão para colocar o selim aí.
Uma forma prática de ajustar o recuo
- Começa com o selim centrado nos carris (a maioria tem um intervalo marcado) e com o topo nivelado, com a altura do selim já ajustada.
- Marca a posição atual nos carris com fita-cola ou um marcador para poderes sempre voltar a ela.
- Pedala num rolo a um esforço constante e moderado com as mãos nas manetes. Repara se sentes que és empurrado para as mãos ou que escorregas para trás no selim.
- Move o selim em passos de cerca de 5 mm na direção que alivia o problema e volta a verificar a altura do selim, porque a alteração frente–trás a modifica ligeiramente.
- Dá a cada alteração várias saídas antes de a avaliares.
Uma verificação para bicicletas de estrada: do selim às manetes
Dan Empfield (Slowtwitch) analisou posições de profissionais de estrada e propôs um preditor da distância da ponta do selim às manetes, a partir da altura do ciclista (H) e da altura do selim (D):
ponta do selim → manetes ≈ 0,72 × H − 0,78 × DPara bicicletas de estrada, a calculadora de bike fit mostra esta distância do selim às manetes juntamente com a tua altura do selim.
Bicicletas de contrarrelógio e triatlo
As bicicletas aero colocam o selim muito mais avançado em relação ao eixo pedaleiro: no seu sistema estático de ajuste para triatlo, Empfield usa um ângulo efetivo do selim de cerca de 79,5°. As regras pensadas para posições de estrada não se transpõem para as posições aero. Mais informação em bike fit de triatlo e contrarrelógio.
Próximos passos
Depois de qualquer alteração frente–trás, volta a verificar o teu ângulo do joelho com a verificação da posição na bicicleta; os intervalos-alvo estão no guia do ângulo do joelho. Se estás a começar do zero, ajusta primeiro a altura do selim.
Fontes
- Bontrager K. The Myth of K.O.P.S.: An Alternative Method of Bike Fit. Editado por D. Roosa; publicado em sheldonbrown.com. Ligação
- Empfield D. Coordinate Predictors Versus Body Angles in Road Bike Fit. Slowtwitch; 2012.
- Empfield D. Devising a static tri-fit system. Slowtwitch; 2009.